sábado, 30 de agosto de 2008

Follow the yellow brick road...and the ruby slippers!


"There they are and there they'll stay". É com essa frase que Glinda transfere os sapatinhos vermelhos da Bruxa Má do Oeste para os pés de Dorothy, em "O Mágico de Oz", filme de 1939, que traz Judy Garland no papel principal. Por décadas e décadas - na verdade, até hoje - os sapatinhos mágicos ecoam nas memórias de todos os que assistiram ao filme. Quem nunca sonhou em bater três vezes o calcanhar para voltar para casa ou então caminhar com seus sapatinhos pela estrada de tijolos amarelos?!

"Mas o que será que Dorothy usaria se vivesse no século 21?"
Foi pensando nisso que a Warner Bros e a Swarovski inventaram uma forma super criativa de comemorar com (muito) estilo os 70 anos do filme "O Mágico de Oz" (que serão completados em 2009). O icônico par de sapatos será recriado por um time de 19 renomados estilistas - cada qual fará sua própria interpretação. Entre os escolhidos estão Alberta Ferretti, Betsey Johnson, Botkier, Christian Louboutin, Diane von Furstenberg, Giuseppe Zanotti, Jimmy Choo, L.A.M.B. by Gwen Stefani, Manolo Blahnik, Moschino, Oscar de la Renta, Roger Vivier e Sergio Rossi. Eles serão responsáveis por compor a "The Wizard of Oz Ruby Slipper Collection", que será apresentada na fashion week nova-iorquina, exposta na vitrine da Saks Fifth Avenue durante 1 semana. Depois da exposição, viajarão o país - com três batidas de calcanhar acompanhadas pelas palavras mágicas, of course - até serem leiloados, em prol da Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation.

Designers sketches
Abaixo, você confere alguns dos croquis:

O primeiro à esquerda é de Sergio Rossi, seguido pelo desenho de Gwen Stefani para sua grife L.A.M.B., logo abaixo o croqui da Moschino e, embaixo dos três, o desenho de Betsey Johnson. Dá pra ver que todos foram criativos, recriaram o sapato sem fugir tanto do original... e, sem dúvida, a vontade de vê-los sair do papel fica ainda maior!!
Aliás, vocês sabiam que os sapatos vermelhos mágicos não eram originalmente vermelhos? Quando L. Frank Baum os criou, lá por 1900 e bolinha, no livro The Wonderful Wizard of Oz, ele os fez prateados. Sim, os ruby slippers eram, na verdade, silver slippers! A mudança ocorreu em 1939, quando Noel Langley, roteirista do filme, achou que se fossem prateados eles não se destacariam nas telas, e resolveu então torná-los vermelhos, para que chamassem mais atenção. E foi assim que nasceu o par de sapatos mais famoso do mundo!

Se você também quer um ruby slipper só seu e não tem grana (muito menos poderes mágicos) para ir até NY comprar um dos modelos no leilão, não se preocupe. O site wikiHow ensina você a criar seus próprios. Está tudo em inglês, mas - caso você conheça o idioma - não é nada difícil de acompanhar. Faça um esforcinho, arregaçe as mangas e coloque seu lado criativo pra funcionar!

Depois que estiverem prontos, "close your eyes and click your heels togheter three times"...

=0*

No iTunes: Judy Garland - Somewhere Over The Rainbow

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pesque e pague...caro!


Ok, eu nem vou escrever muito a respeito desse novo "mimo" que a Chanel lançou, porque (obviamente) eu não achei lá muito útil e masculino - pesca não é, a meu ver, um esporte tão feminino a ponto de merecer um carregador de varas e acessórios. Sim, porque nenhum homem que eu conheço usaria essa bolsa... que me desculpem os fashionistas que acham esse tipo de coisa um máximo, mas é feminino demais pro target dessa modalidade esportiva.

Especialista no mercado de luxo esportivo que é, a Chanel já colocou o monograma em acessórios para esqui, tênis (raquetes com bolinhas ornando), bicicleta e até um bumerangue - veja você!. Mas considerei essa novidade aí de cima interessante, por ser uma idéia original - nenhuma grife, conscientemente, pensou ou projetou algo do gênero - porém um pouco doida e meio descabida. Teria sido mais sensato, por exemplo, lançar uma taqueira de golfe, já que atingiria ambos os públicos; a mulherada ia matar por uma taqueira da Chanel, e também por aquelas "touquinhas" de colocar no taco, pra proteger.

Não me considerem machista quando digo que pescaria é coisa de homem. Infelizmente vocês vão ter que concordar comigo, já que nem eu e nem vocês conhecemos nenhuma mulher que tenha provado o contrário, e deduzo que homem nenhum vai usar, pelo simples fato q homens não são tão detalhistas nesse aspecto. Somos nós, mulheres, que adoraaamos exibir nossos acessórios. Do contrário, os homens também usariam bolsa.
Às vezes eles são muito mais lógicos que nós, mulheres, que compramos coisas desse tipo quando, na grande maioria das vezes, nem precisamos. Homens são mais práticos e um tanto mais 'ogros' nesse aspecto. É útil ter um lugar pra guardar as varas de pesca, os anzóis, carretéis e toda parafernália deles... mas não acho, sinceramente, que algum pescador vá comprar um item caríssimo desses pra ficar jogado, cair água em cima ou ficar fedido de peixe.

Bom, mas se lançaram é porque tem público e, útil ou não, ter público é o que interessa pra esse povo. Não dou um mês pra estarem esgotadas e terem lista de espera. Ah, e a tendência pro verão é a pescaria... já tô até vendo uma galeeera desembolsando US$ 20 mil - sim, esse é o precinho que se paga pra pescar com estilo - pra poder desfilar (e nada mais que isso) usando o elefante branco acima. Juro, depois dessa eu não entendo a lógica do mercado... esse é o pesque-e-pague mais caro do mundo!

Karl, bobeou nessa, hein querido! Fica a dica: se aposenta no auge, enquanto ainda dá tempo!
Essa novidade eu não vou estar abraçando. (porque gerúndio é tudo nessa vida...tudo de uó!)

=0*

No iTunes: ABBA - Gimme! Gimme! Gimme!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aliança Artesanal


Outra coisa que me chamou a atenção foi um lenço com bordados muito bonitos, que dificilmente se encontra pra vender lá em Portugal (e que, infelizmente, eu não consegui comprar): o lenço de pedidos, ou lenço dos namorados.
Esses lenços são de origem minhota, ou seja, da região do Minho e, inicialmente, eram usados pelas mulheres, tinham função decorativa e faziam parte dos trajes. Mas com certeza sua outra função é muito mais interessante: a conquista do namorado.
Funcionava assim: à medida que se aproximava da idade de casar, a moça confeccionava seu lenço bordado a partir de um pedaço de linho ou algodão, usando os conhecimentos de ponto cruz que aprendeu na infância. Depois de pronto, era oferecido ao ‘namorado’ (ou pretendente); se ele usasse o lenço em público, significaria que aceitava o compromisso e estava assumindo isso publicamente; ele usava o lenço amarrado ao pescoço, sobre o casaco, com o nó pra frente, ou então na aba do chapéu – menos comum. As ligações amorosas eram firmadas dessa forma.
O mais bonito é que esses lenços têm toda uma carga sentimental, afinal, representam os sentimentos de uma mocinha prestes a se casar. Era uma declaração de amor em forma de lenço. E por serem de ponto cruz, um ponto um tanto complicado, elas eram obrigadas a ficar um bom tempo bordando, levava meses até que terminassem.
Falando em terminar, quando a moça não era correspondida, ou quando o seu pretendente ‘rompia’ o compromisso, o lenço voltava até ela – no caso de rompimento, ele também devolvia objetos, fotos e outras coisas que pertenciam à moça.

Cada um dos símbolos presentes nos lenços tem seu significado:
- Espiral grego: representação geométrica que tem valor ancestral de grande importância: a própria vida do homem; a linha da vida, à qual o casamento se liga de forma incisiva e profunda; a perpetuação da espécie humana.
- Pomba e Cão: representam a fidelidade.
- Par de namorados: representam a ligação amorosa.
- Silva: representa a prisão amorosa.
- Chave: representa a união dos dois corações.
- Símbolos religiosos (cruz, vaso, candelabro, etc): representam o ato do casamento.

É muito engraçado pensar sobre como as relações e compromissos eram firmados só com um lenço...que um pedacinho de pano às vezes fala mais que mil palavras... queria eu que fosse simples desse jeito...!

Obs: Em média, um lenço desses custa 175€... ouch!


No iTunes: Beatles - In My Life

sábado, 9 de agosto de 2008

Fashion must-have ou peça tradicional portuguesa?!

O que mais me encantou em Portugal foram os lenços portugueses. Por ter descendência portuguesa por parte de mãe, eu já o conhecia, mas nessa onda de lenços ele se tornou companhia inseparável em festas que requeriam traje mais social. Nada mais in do que uma boa calça de alfaiataria, blusinha básica e o lenço, que tem flores coloridas desenhadas, muito bonitas.

Eles eram usados antigamente pelas mulheres e em festas folclóricas, na maioria das vezes como um xale, ou então amarrados à cabeça.
Existem lenços de diversas cores, e as flores caracterizam um padrão entre eles, uma vez que a cor de fundo muda mas as flores permanecem sempre nos mesmos tons. Os lenços pretos normalmente representam luto, e são os favoritos das cantoras de fado (música típica portuguesa, super melancólica), que começaram a usá-lo com mais afinco quando a grande dama do fado, Amália Rodrigues, faleceu. Falou em fado? Tem que ter lenço!

A primeira vez que tive a idéia de usar um lenço português foi em maio desse ano, no aniversário da minha mãe (foto). Duas amigas minhas estavam na festa e adoraram a idéia; coloquei algumas fotos desse dia no orkut e choveram scraps curiosos elogiando o lenço, perguntando onde comprei e coisa e tal. Gente, foi só fuçar no armário da minha mãe e lá estava ele, diretamente de Portugal..! Nem preciso falar que, à medida que ficaram sabendo que eu ia pra terrinha, as amigas, primas e tias encomendaram o acessório. Infelizmente só pude cumprir parte das encomendas, já que cada um – dependendo do tamanho e do material – variava de 20 a 25 euros (que dá uns 50 a 55 reais).

Foi então que, um tanto decepcionada com a moda portuguesa, decidi tornar coisas tradicionais e folclóricas em produtos trendy. E por que não?!

Os produtos tradicionais portugueses são muito legais. Bordados, rendas, lenços, cores e tramas, tudo tem um toque bem regional – inclusive, cada região tem seu bordado e estampas típicas -, um jeito super próprio de ser usado (que não precisa obrigatoriamente ser respeitado). O mais bacana é que tem uma aura meio histórica por trás, tem um significado bacana, é folclórico. E como eu gosto poooouco de coisas artesanais, únicas e com significado, acho que nem preciso dizer o quanto isso me empolgou e envolveu.

Não sei se vocês sabem, mas os bordados e as estampas portuguesas também já influenciaram algumas grifes brasileiras em seus desfiles no SPFW, tais como Zoomp e Fause Haten, que colocaram a típica flor dos lenços portugueses em suas coleções, como podemos ver abaixo:

Zoomp


Fause Haten

E não acabou: o próximo post é sobre outro tipo de lenço, o lenço de compromisso. Não sabe o que é?! Então fique ligado que o F-Utility te conta em breve!


=0*

No iTunes: Estelle feat. Kanye West - American Boy

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Caçadora de tendências

Passeando pelas ruas das cidades que visitei em Portugal, fiquei atenta ao que as portuguesas andam usando, o que está na moda lá. O que consegui pinçar pra vocês foi:

  • calça saruel de malha com tipo uns ‘punhos’ no calcanhar:

  • lenços palestinos (ou kaffyeh), que lá são conhecidos como “lenços de Arafat” – amarrados de diferentes formas e em muitas cores:


  • niqueleiras de diversos tipos e tecidos – não vi quase ninguém usando carteira, eram mais niqueleiras e bolsinhas de zíper bordadas, tipo as que são vendidas na Accesorize:

  • sandálias gladiator – de todos os tipos, tamanhos e alturas:

  • cintos usados da mesma forma que o Obi, mas que misturam couro, vinil ou metal com elástico:

  • óculos estilo Jackie Onassis e modelo Ray Ban Wayfarer (preto ou de diversas cores):

Acho que o Brasil não fica tão atrás quando se trata de tendências, porque - com excessão da niqueleira, que é só uma questão de tempo até cair nas graças das brasileiras - o resto, por aqui, é super hypado!
E parece que o Oriente Médio está cada vez mais na cabeça dos europeus e do resto do mundo... A moda agradece a influência!

=0*

No iTunes: Gnarls Barkley - Going On

domingo, 3 de agosto de 2008

De volta da 'terrinha'...

Após pausa de um mês, F-Utility volta com as (prometidas) novidades trazidas de Portugal, país que tive o prazer de conhecer nessas férias.


Portugal não é muito grande: bastam 6 horas para atravessar o país. Mas com certeza 10 dias não é tempo o bastante pra conhecer suficientemente bem toda a riqueza cultural da “terrinha”. Me encantei por construções como o Mosteiro dos Jeronimos, em Lisboa, o Mosteiro de Batalha, em Batalha, a cidade de Óbidos (um ‘feudo’ que o rei deu de presente de casamento à sua esposa – homens, aprendam com ele!), Sintra e seu Palácio da Pena (que quase toca as nuvens) e a cidade do Porto e seus vinhos adocicados.
O povo é super agradável, não é burro como nas piadinhas e morre de rir com o jeito que os brasileiros falam português; nunca vi tantos homens (jovens) bonitos como os que vi lá – meninas, arrumem as malas: Portugal é destino certo pra quem procura um bofe!; a comida é simplesmente especial, indescritível; os pastéis de Belém, que tive a satisfação de comer recém saídos do forno na única (e tradicionalíssima) fábrica existente em Lisboa, são de comer rezando, como diria minha avó, e os ovos moles de Aveiro – que são muito mais gostosos do que parecem pelo nome – me deixaram completamente viciada. Ah, isso sem contar a água Penacova, que eu costumo brincar que é a única que realmente mata a sede.
Em termos de arquitetura, se você já foi às cidades históricas de Minas Gerais, vai se sentir como estivesse lá (numa comparação bizarra), afinal, foram eles que nos colonizaram, e não o contrário, portanto é mais do que óbvio que lá eu encontraria casas com a arquitetura colonial que temos em Minas e em outras cidades brasileiras. Tem muitos elementos bem barrocos, mas ao mesmo tempo também vi construções góticas e de outros estilos.
A simplicidade – para mim, encantadora – presente em tudo (que pode decepcionar quem conheceu países como França, Inglaterra e Itália), não faz de Portugal pior ou mais feio quando comparado a outros países da Europa, e sim diferente e surpreendente.

Como o assunto aqui é moda, vamos ao que interessa!
Pra ser sincera, a moda portuguesa é bem sem graça... procurei saber mais sobre estilistas de lá, mas são poucos os que tem lojas legais nos shoppings portugueses. Dos que participam da fashion week portuguesa (sim, eles tem uma), grande parte tem suas lojas em shoppings totalmente fora do orçamento de qualquer turista, ou seja, são lojas para o público AAA. Equivalem às lojas que temos aqui, na Oscar Freire, por exemplo.
Na verdade, vi muitas lojas internacionais lá: as espanholas Zara, Stradivarius, Pull & Bear (ótima surpresa, aliás), El Corte Inglès e Mango, a sueca H&M, as inglesas Accesorize e Pepe Jeans, as italianas Benetton, Sisley e Stefanel (que tem Gisele Bundchen como garota-propaganda) e a holandesa C&A, entre outras. Quase 90% das lojas de roupas dos shoppings eram de outros países. Inclusive Brasil.
Pois é, você não leu errado, existem lojas brasileiras espalhadas por todos os lugares, seja em Lisboa, no bairro do Chiado, ou na cidade do Porto, em shoppings um pouco mais sofisticados. Portugueses são apaixonados por Osklen (apaixonados mesmo!), adoram a Colcci, a Arezzo, Francesca Romana Diana, O Boticário, Havaianas (as legítimas!)... e não pensem que é isso sai a precinho de banana, porque uma blusinha básica da Colcci, na liquidação, custa cerca de 60 euros! Por um chinelinho infantil da Havaianas, paga-se 23 euros! A Osklen nem coloca os preços na vitrine... ainda bem, porque provavelmente iria matar os portugueses do coração! Me pergunto como é que essas lojas não quebram, viu...
Voltando à moda portuguesa, reparei que as mulheres gostam de roupas bem coloridas, de cortes mais simples e às vezes sem graça, algumas com muita estampa (inclusive umas florzonas enormes). Tanto que as lojas portuguesas visitadas ofereciam uma cartela de cores absurda... me senti num technicolor adoidado!

Desfile da estilista portuguesa Anabela Baldaque
Ah, e falando em lojas portuguesas, vou falar um pouquinho delas pra vocês:


A Cortefiel é uma loja que lembra ligeiramente a C&A – pela montagem do espaço – e oferece roupas mais, digamos assim, de “tia”, com preços mais acessíveis, cortes que não valorizam tanto o corpo e em cores que eu jamais imaginaria usar (tipo um azul absurdamente fluo, que eu me pergunto até agora se teria público).


Vi a loja Decenio na Vogue portuguesa, antes de ir, e me empolguei pensando que teria algo bacana, mas o resultado foi uma entrada e saída da loja, em surpreendentes 10 minutos – só roupas ‘miadinhas’, bem mais clássicas, nada de interessante ou diferente pra ver.


Uma que eu me empolguei muito pra conhecer foi a Lanidor. Eu via em todos os lugares, e a vitrine me atiçava. Uma grande decepção: roupas com cortes que não valorizavam, tecidos que não me agradaram muito e cores, muitas cores, especialmente laranja-cenoura e rosa-magenta.

Não sei bem o motivo, mas eu saí do Brasil esperando encontrar vanguarda e no fim encontrei uma moda meio boring e um tanto quando antiquada. Não estou falando que tudo seja ruim, mas a moda popular, ready-to-wear / prêt à porter (refiro-me a lojas que tem preços normais, e não às que poderiam figurar na Oscar Freire) é quase merecedora de um bocejo...

Fiquem de olho, vem mais posts sobre Portugal por aí!
No iTunes: Mariza - Meu Fado Meu

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